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Meu Perfil BRASIL, Sul, SANTA MARIA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, Spanish, Música, Arte e cultura
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Warrior of Storm
OBJETIVIDADE Eu tenho um segredo para lhe contar. Parece pedante iniciar nosso diálogo dessa forma, porém as noites, todas as noites que me assistiram durante a insuportável maratona que consistia em aprender a extinguir quaisquer pensamentos de uma mente perturbada como a minha, acabaram por aconselhar-me a ser objetiva. Eu tentei dizer-lhes que entendo tanto de objetividade quanto de análises psiquiátricas em unicórnios, porém essas senhoras da escuridão, essas deusas dos mistérios das sombras, sequer deixaram-me terminar de argumentar. Antes que eu pudesse soletrar “U-N-I-C-Ó-R-N-I-O”, elas já se haviam esfumaçado, dando lugar a uma luz amarela e brilhante, que me cegava e tornavam escassos meus ímpetos de controlar meu cérebro... Ah, Noites! Como escapar de suas garras? Mas, lhe dizia eu que tenho um segredo. Não sei que impressão passarei ao revelar-lhe, qual será a magnitude de seu impacto, tampouco sei o que me acontecerá após o deságüe desse oceano no qual fui afogada naquela insípida manhã de julho. O que sei é que meus pulmões já não agüentam esse ar venenoso que os seqüestrou e os manteve encarcerados durante esses dez anos, nem minhas células suportam esse líquido espesso e amargo que queima minhas vísceras, expondo-me a dor lancinante que se assemelha a dez partos seqüenciais no corpo da mesma mãe, onde é possível ver, sem que se possa dissociar, os desejos de vida e de morte. Algo é necessário... Alguma atitude. A tudo já apelei, entretanto em nenhuma das tentativas obtive o clamado bálsamo. Crenças, hospitais, superstições... Nada disso é forte e sutil o bastante para penetrar-me e limpar-me desses excrementos imateriais que se apoderam deste opaco espírito, se é que se pode assim denominar um vulto apodrecido pela lentidão das horas e pela maresia incandescente da falta de esperança. Objetiva! Soa como um disparo emudecido em meus tímpanos. Nem meus objetivos são objetivos! E, por mais que eu tente, não o querem ser, não sentem essa necessidade, acusando-a de ser meramente ilustrativa e desestimulante. Por isso, quando me perguntam quais são meus objetivos, respondo, pronta e timidamente, com evasivas ou com um silêncio que violenta meu já retalhado amor próprio. Acho isso mais prudente do que contestar que não os tenho porque se rebelaram contra o mundo e contra mim, chamando-se de todas as coisas possíveis, menos de objetivos, uma vez que crêem serem os objetivos medíocres e com uma notável tendência suicida... Como vê, tudo em minha vida tem vida. Menos eu.
Escrito por *Gi* às 20h51
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NATURALMENTE NOTÍVAGO
E qual é o tamanho da dor? Dor mesquinha, que durante o dia se aninha, guarda a face, toma força...e à noite se agiganta! Pra que tanta dor? Ai, dor... serra, surra, cerra, não cessa nem sara, não blefa nem pára. É tão egoísta que tem dois porquês: ou serve de diversão ou exige tornar-se inspiração. Ai, risos, que em silêncio escuto, e é a pura humilhação. Deveria eu rir também, da minha própria desgraça, das noites que não dormi, dos risos que não sorri,dos dias que não vivi... Dias que judiam... dias que me judiam... Por quê? Certamente algo eu fiz que hoje me faz infeliz, desesperando a escrita de um sangue que pulsa e grita. Não tem graça! E o relógio palpita: "tic-tac - imbecil!" "tic-tac - está na hora" "tic-tac - espera, ainda não" Hora de sentir-se impotente!
Hoje chorei tanto que não consigo pensar. Mente, memória e coração vazios, gelados como as veias de um animal prestes a ser abatido. Corpo vazio, idéia sem rumo. Sem forças, deslizo a pena sobre o papel. A penna... a pena! Minha pena, confusa, reprimida, constrangida. Não gosto do gosto das minhas lágrimas. São amargas, cheiram a medo. Ah, se não fosse o medo eu conquistaria o mundo e, mais que depressa, desvendaria o segredo, não do mundo: do MEU MUNDO. Os olhos já embaçados querem fechar, mas não deixo; a cabeça esquenta, quer doer, pede arrego, quer descansar, porém não consigo pensar em parar de pensar. Pensaria em parar, se não tivesse cabeça. Mas tenho uma. Uma que pesa por mil! O sono rodeia, mas eu resisto e insisto em pensar. As imagens estáticas contradizem a loucura das idéias e o quebra-cabeça da razão. O frio aos poucos toca minha pele... as horas passam... E eu aqui, secando lágrimas! Preciso de algo que me faça dormir. Sei onde há, mas não me atrevo a buscar. Preciso de alento e não de repreensão. Levanto... tento matar uma barata, mas até ela foge de mim! Torno a deitar, pensando demais sem conseguir pensar. E o dia amanheceu!
Escrito por *Gi* às 02h30
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SER HUMANO; ESTAR HUMANO; PERMANECER HUMANO... ATÉ QUANDO? INSISTIR EM SER HUMANO SEM PODER VIVER HUMANAMENTE DESDE QUANDO? A LÁGRIMA DA CARNE, O GRITO ARRAIGADO, O ÓDIO ESCAVADO, O DESEJAR IMPURO... SEMENTES DA EVOLUÇÃO PODADOS PELO MEDO E INIBIDOS PELA CRÍTICA. COMO APRENDER? COMO SER HUMANO, SENDO FORÇADO A DEMONSTRAÇÕES DE EXTRA CORPOREIDADE SUBLIME E PLENA? SIM, SOU IMPERFEITO! É NA FUMAÇA DO CIGARRO QUE LIMPO A MENTE DE PENSAMENTOS ABSURDOS. AO SENTIR OS PRIMEIROS EFEITOS, AO EXPULSAR AS PRIMEIRAS BAFORADAS EXPULSO TAMBÉM AS CENAS QUE FAZEM MAL AO ÍNTIMO DE UMA CABEÇA UM TANTO DESEQUILIBRADA.
Escrito por *Gi* às 02h05
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Auto Retrato em Terceira Pessoa
Sentada em um banco gélido, em algum lugar perdido no meio do nada, ela atira palavras doloridas no papel quase morto. Em surdina, ao longe, uma canção de amor põe-se a remoer memórias que lhe ferem os resquícios de bons momentos que vivera recentemente. Uma mescla de desejos puros e mágoas não cicatrizadas tornam sua mente uma orgia silenciosa. É, em tristes circunstâncias, despertada por um arrepio, que lhe percorre toda a espinha e morre no topo de sua cabeça. Passos a distraem por um segundo e, no segundo seguinte, põe-se atenta a uma outra canção que soa amargamente linda em seus ouvidos inertes. Murmúrios e sons confusos lutam por atrair sua concentração, mas a canção penetra-lhe a alma, fazendo-a desejar estar longe daquele lugar. O frio congela-lhe os pés e as mãos, no entanto ainda é muito cedo para levantar-se de onde se encontra. O relógio grita e anuncia a hora: uma hora e doze minutos de uma madrugada entediante. Ela tenta pensar, entretanto sua mente cansada e sua visão embaçada parecem querer arrancá-la de sua literatura. Lembra-se então dos dias mágicos que disfrutara até quase doze horas antes daquela cena patética, ou seja, uma jovem mulher, em um lugar desconhecido, escrevendo coisas sobre as quais não tem a quem revelar, a espera de algo que nem ela mesmo sabe o que é. Mas essa imagem se colore com os lapsos de fervorosa felicidade que vivera há pouco. São cores, gestos, luzes, conversas sem fundamento e deliciosas gargalhadas, que a tiram do marasmo de sua vida simples e melancólica. E, quando parece que uma alegria repentina lhe tomara, uma voz melodiosa a faz lembrar de seu coração vazio e de suas secas fontes de inspiração. O olhar baixo e a caneta, por vezes levada à boca, tentam ocultar o desânimo que a torna transparente, quase invisível, a olhos nus. E ela torna a olhar o relógio, vendo que se passaram apenas monótonos quinze minutos. 
Escrito por *Gi* às 00h23
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Diálogos Familiares: Podem ser ou não Mera Coincidência...
FILHA: É assim. Sempre que desejava morrer, deixava de lado todas minhas vontades, pensava primeiro em quem estava ao meu redor. Tinha medo do desconhecido, do que eu iria encontrar do outro lado, das dores que poderia sentir - físicas, psicológicas, uterinas - mas, mais do que isso, a dor da culpa de deixá-los chorando, procurando erros que não sabiam se haviam cometido ou não, que somente EU cometi, ao arrancar vida de meus pulsos. Isso faria com que a única luz que meu espírito encontrasse fosse o fogo das velas que deixariam nas estradas em minha memória. Que profundo, não? O homem que era meu herói foi também meu algoz, o responsável pela perda de um juízo que nunca tive, de uma identidade que já me fazia letárgica. As pedras que tu, anjo-demônio doador de vida, tiravas de meu caminho, tornaram-se opacas ao passo em que percebia em ti um olho deformado, um pescoço curvo, uma coluna flexível, um cabelo de serpentes e, sobretudo, um coração que ao invés de sangue bombeava fel. Sempre tentaste mostrar a mim e a tua outra filha que o exemplo faz do homem um verdadeiro Homem, no entanto, se eu tivesse seguido esse intocável busto de teu orgulho, teria manchado minha sobriedade com as lágrimas arrancadas da dália negra que me cedeu seu pólen para que eu pudesse gerar minha própria flor. Mas minha flor, doce carrasco, não vingou. Nasceu implorando pela vida, clamou por uma chance de receber uma gota de tua saliva benéfica... e o que fizeste? Deste a ela uma esponja encharcada com vinagre, como algo que aconteceu a cerca de dois mil anos atrás com alguém que também teve um Pai, que o abandonou. Me embalaste, me alimentaste, me ergueste e me deixaste cair. E eu estou caindo até hoje, no colo das ruas, no abraço das madrugadas, na boca dos vermes, no marfim de um profundo tridente. Se teu veneno, pai, tivesse apenas atingido meu ego, poderia fingir que sonhei, que tudo não passou de uma pérfida utopia, como aqueles filmes que em se vê os primeiros quinze minutos e eles nos trazem um incontrolável sono que geram nosso próprio roteiro, muito mais envolvente. Porém, mais que minha alma, feriste minha existência, tentaste romper o cordão umbilical definitivamente, tentaste arrancá-lo com teus vorazes dentes, enquanto mastigavas a raiz da dália que está presa em minha carne. Lembra-te quando tua máscara caiu e perdeste teu chão? Não... não deves lembrar. Tua auto suficiência bloqueia o que pode te incomodar ou te trazer recordações desagradáveis. Mas EU lembro. Lembro mais que tudo: a malícia foi descoberta; a máscara, envergonhada, suicidou-se; a dália desfaleceu em meu colo, e, nesse momento, o asco vestiu inclusive as partes mais íntimas de meu ser: meus ovários, minhas artérias, meu vômito. Ah... para que saibas, para não dizeres que sou ingrata, algo de ti herdei: o vômito, de qual falei, entranhou-se em meus poros através dos sórdidos beijos que jogavas em minha face. A gosma de tua língua, formada pela fumaça de teu cigarro, pelo catarro de tuas palavras oniscientes e pelo esperma que corre em tuas veias, desagüando em teu cérebro, uniram-se quase em um bolo fecal que se lança até mim como uma onda de gafanhotos famintos, que devoram uma plantação abandonada. E aqui estamos! Eu, envolta em sanguessugas que brotam de meu suor, e tu. devorando teu silêncio com os goles de vida que roubas de mim.
PAI: Falas como a mulher que te gerou. Tua erudição me faz recordar as horas intemináveis em que não me deixava dormir, reclamando, reclamando, sempre reclamando. Horas em que a única coisa que a fazia calar eram minhas carícias, que geralmente resultavam em dentes quebrados ou em um lindo arroxear em torno de seus olhos cor de noite. E dizes que EU sou mal? Não... até chegar aqui, nunca me julguei assim. Apenas aprendi com meu pai, que aprendeu com meu avô, que aprendeu com meu bisavô, que mulheres caladas são uma bênção divina, nem que para isso se tenha que usar um pouquinho de força. EU fiz de tua mãe uma mulher, porque ela nada era quando a conheci, ou melhor, era um rato de esgoto, cujos alimentos vitais eram a vodca e o sêmen de velhos bêbados que a devoravam em troca de uma pocilga para dormir. E, acredite ou não, me arrependo de ter sido um desses velhos bêbados. Só que não a levei para um chiqueiro, como ela estava acostumada. A levei para minha casa, lhe dei um lar e um nome. E em troca ela me deu duas filhas. Duas. Minhas e somente minhas... Hoje cuspo no espelho quando me olho e vejo as marcas que as lágrimas de vocês me deixaram. Olha... olha isso... Cada vez que eu lembro do meu modo de pensar antes, há anos atrás, quando tu tinhas teus dez anos, pego uma gilete enferrujada que tenho aqui e faço isso aqui. Uma pequena cruz no pau, até sangrar mesmo, que representa cada vez que matei um pouco a inocência de vocês, enquanto pensava: se meu sangue corre nelas, o que há de mal em meu esperma correr também em minhas filhas? Me abomino por isso. Olha para mim... não desvia o olhar... Vê em que eu me transformei. Um monstro. Um monstro mutilado, quase castrado, se agarrando a um fio de vida. A vida que eu gerei, condenei e matei, sim... porque estás morta. Sei que olhas para mim e vês uma poça de sangue esvaindo-se pelos ralos fétidos desse presídio. E tenho certeza que se fosse o meu sangue que visse, estarias feliz. Mas tua alma não está em paz porque o que vês é o sangue de tua mãe entranhado em minha barba e em meus pêlos. Mas, eu peço, uma vez que seja... coloca-te em meu lugar: chegar em casa e ver que a esposa que me pertencia, que era minha propriedade, toma coragem de enfrentar a morte e me dizer que amava minha irmã. Enlouqueci, obviamente. Quebrei a casa, mas não fiz nada com ela. Apenas saí. Fiquei três dias fora e, quando voltei, na noite de Reis, encontrei minha irmã DENTRO de minha mulher, fazendo gozar aquele corpo que não tinha esse direito, a não ser que fosse para atender aos meus apelos. Isso tudo acontecia na mesa da cozinha, entre os quitutes da ceia, enquanto minhas duas pequenas amantes brincavam na varanda com os presentes recebidos no Natal... As galinhas do jantar foram outras, não as que esperavam para serem assadas no forno. Era tanto sangue que imaginei estar bem próximo ao inferno. A partir daí, não lembro mais. Acordei aqui, nessa selva de mutantes. E hoje sou um deles, mas que pode desintegrar-se a qualquer instante. Essa doença me corrói, desmancha minhas vísceras, mas o que eu queria realmente ela não faz: destruir meus demônios e absolver minha consciência. É uma Loucura Estritamente Usufruída Com Eterna Mágoa Imposta Aos... desgraçados, como eu! Apesar de eu ter destroçado tua alegria, te peço... não... te imploro que limpes a sujeira de meu espírito infectado pela dor e pela culpa. Um pedaço de ti me faria reviver, renascer, ressurgir apenas para pedir-lhes perdão, a ti e à tua irmã, onde quer que ela esteja, já que nos encontraremos todos novamente, mais dia, menos dia, no vale dos suicidas.
Escrito por *Gi* às 23h09
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DEUS É BOM! ESSA ELE FEZ E JOGOU A FÔRMA FORA!!!

ESSA CRIATURA É UMA DAS MAIS LINDAS BRASILEIRAS, NA MINHA OPINIÃO!! GISELLE TIGRE, MODELO E ATRIZ 
Escrito por *Gi* às 19h13
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Reflexões de um Sábado a Noite
Sigo distante, em algum momento, em algum beco, sentindo gotas de sangue escaparem de meus olhos, fazendo de conta que são pingos de mel que morrem em minha boca, para que seu ardor me seja menos peçonhento. Mas assim que se acaba o efeito dessa utopia, o mel se torna algum corrosivo qualquer, que me despe de todos os sorrisos e lágrimas, me deixando nua e inerte em frente ao pior dos espelhos: meus olhos.

Escrito por *Gi* às 01h42
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A MERETRIZ AUGUSTO DOS ANJOS A rua dos destinos desgraçados Faz medo. O Vício estruge. Ouvem-se os brados Da danação carnal... Lúbrica, à lua, Na sodomia das mais negras bodas Desarticula-se, em coréas doudas, Uma mulher completamente nua!
É a meretriz que, de cabelos ruivos, Bramando, ébria e lasciva, hórridos uivos Na mesma esteira pública, recebe, Entre farraparias e esplendores. O eretismo das classes superiores E o orgasmo bastardíssimo da plebe!
[...] A hora da morte acende-lhe o intelecto E à úmida habitação do vício abjecto Afluem milhões de sóis, rubros, radiando... Resíduos memoriais tornam-se luzes Fazem-se idéias e ela vê as cruzes Do seu martirológio miserando!
Inícios atrofiados de ética, ânsia De perfeição, sonhos de culminância, Libertos da ancestral modorra calma, Saem da infância embrionária e erguem-se, adultos, Lançando a sombra horrível dos seus vultos Sobre a noite fechada daquela alma!
É o sublevantamento coletivo De um mundo inteiro que aparece vivo, Numa cenografia de diorama, Que, momentaneamente luz fecunda, Brilha na prostituta moribunda Como a fosforescência sobre a lama!
[...] Ser meretriz depois do túmulo! A alma Roubada a hirta quietude da urbe calma Onde se extinguem todos os escolhos: E, condenada, ao trágico ditame, Oferecer-se à bicharia infame Com a terra do sepulcro a encher-lhe os olhos!
Sentir a língua aluir-se-lhe na boca E com a cabeça sem cabelos, oca... .............................................................. Na horrorosa avulsão da forma nívea Dizer ainda palavras de lascívia... 
******************************************************************************** A LOUCA AUGUSTO DOS ANJOS Quando ela passa: - a veste desgrenhada, O cabelo revolto em desalinho, No seu olhar feroz eu adivinho O mistério da dor que a traz penada.
Moça, tão moça e já desventurada; Da desdita ferida pelo espinho, Vai morta em vida assim pelo caminho, No sudário da mágoa sepultada.
Eu sei a sua história. - Em seu passado Houve um drama d'amor misterioso - O segredo d'um peito torturado -
E hoje, para guardar a mágoa oculta, Canta, soluça - o coração saudoso, Chora, gargalha, a desgraçada estulta. 
********************************************************************************* PECADORA AUGUSTO DOS ANJOS Tinha no olhar cetíneo, aveludado, A chama cruel que arrasta os corações, Os seios rijos eram dois brasões Onde fulgia o símb'lo do pecado.
Bela, divina, o porte emoldurado No mármore sublime dos contornos, Os seios brancos, palpitantes, mornos, Dançavam-lhe no colo perfumado.
No entanto, esta mulher de grã beleza, Moldada pela mão da Natureza, Tornou-se a pecadora vil. Do fado
Do destino fatal, presa, morria, Uma noite entre as vascas da agonia, Tendo no corpo o verme do pecado! 
Escrito por *Gi* às 01h34
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Apenas uma Mulher
Digam o que digam. Sou apenas uma mulher. Mulher no sentido geral, mulher no sentido Homem. Não demonstro desejos, mas os tenho; não aparento fragilidades, mas estas estão exatamente localizadas entre minha cabeça e meus pés. O mundo diz que meu papel é servir como mulher aos que necessitam, mas quem as necessita? Nós mulheres necessitamos mais de nós mesmas do que qualquer outro ser. Ser mulher não significa ter uma abertura entre as pernas que serve de playground aos que dela têm sede; significa preenchê-la com nossas vaidades e repúdios. Ser mulher é buscar o vazio na concretude dos dias, é amar e odiar o tudo e o nada, que por vezes nos corrói e por vezes nos alimenta. As frustrações diárias são a escada que nos eleva a um patamar quase santificado, e, ao mesmo tempo, que nos rebaixa aos portais vertiginosos de um deleitoso inferno. Sou filha de Lilith. Quero o que quero e na hora que quero. Um homem em minha cama é a prova de que não passo de um demônio, que suga as forças de quem pensa, no seu pequeno posto de reprodutor, que sou um refúgio a seu membro desesperado. Talvez, um dia, saberá este pequeno ser que não passo de uma brisa, livre e letal. Não passo de uma Mulher. 
Escrito por *Gi* às 18h25
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"Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados...
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore." Machado de Assis Máscaras. Há mulheres que, por mais que as pesquisemos, não têm interior, são puras máscaras.É digno de pena o homem que se envolve com estes seres quase espectrais, inevitavelmente insatisfatórios, mas precisamente eles são capazes de despertar da maneira mais intensa o desejo do homem: ele procura a sua alma - e continua procurando para sempre. Friedrich Nietzsche
Escrito por *Gi* às 17h00
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ALGUMAS CONSIDERAÇÃO PERFEITAS E ATEMPORAIS SOBRE O UNIVERSO FEMININO "Plena mulher, maçã carnal, lua quente, espesso aroma de algas, lodo e luz pisados, que obscura claridade se abre entre tuas colunas? que antiga noite o homem toca com seus sentidos? Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas, com ar opresso e bruscas tempestades de farinha: amar é um combate de relâmpagos e dois corpos por um so mel derrotados. Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito, tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos, e o fogo genital transformado em delícia corre pelos tênues caminhos do sangue até precipitar-se como um cravo noturno, até ser e não ser senão na sombra de um raio." Pablo Neruda "Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas." Séneca
Escrito por *Gi* às 02h20
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Tá Baixando a Auto Estima!!!
O que fazer? Mais dia, menos dia, terei mesmo que enfrentar a essa tormenta que se move com força nos céus de meu obscuro inferno. Ou caminho levada por minhas pernas e luto com a indignação de meus punhos, ou então irei de toda forma, mas com muitos arranhões em minha pele e muito mais sangue arrancado de meus músculos rasgados. Sendo assim, não há razão de parar, apenas para não dar gosto a quem quer me arrastar por entre as cerdas afiadas do tempo.
Escrito por *Gi* às 18h35
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Reflexões pós nova experiência!
Ao som de George Michael, Careless Whisper, e ao invés de fazer o projeto de encenação IV, resolvi exteriorizar algumas coisas que vêm revirando minha cabeçça ultimamente. Se ficar estranho, sem sentido, não há problema, pois assim mesmo é que está minha mente!
Amo o teatro! Passei a venerá-lo com todas as minhas forças, mas há coisas que não me agradam nem um pouco. Até que ponto o disfarce proporcionado pelo teatro, a fantasia de ser outras milhares de vidas, é capaz de nos conduzir à uma perda quase irreversível da nossa própria identidade?: Por que é necessário dizer-se algo que não se é, fazer de conta que não somos aquilo que pensamos ou fazemos, com a desculpa de um devaneio ou inconsciência passageiros? Por que nos usarmos das técnica que aprendemos para fazer outras pessoas felizes dentro de uma ilusão, se em certos momentos apenas nos utilizamos desse pretexto para lançar-nos de um abismo onde nem pedras existem para os amparar? Lançar-se ao vazio é viver ou esconder-se?
Escrito por *Gi* às 20h50
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INTR'APOCALYPSE
Meu coração um dia haverá de ser diamante, dessedentado por fel e lava. Minhas veias serão entupidas por gravetos secos gerados por substância coagulada. A areia alva do regurgitar de Tiestes formará meus poros e meus pulmões.
Minha pele será fria argila das vísceras de Adão. Meu suor será o visco formador da espuma do mar que gerará deusas.
Minhas córneas serão brotos do núcleo terrestre, que emanarão línguas de fogo à longínqua miragem de um horizonte paradisíaco.
E quando esse dia chegar, estarei preparada para sussurrar a mais dolorosa gargalhada que nenhum tempo jamais ousou celebrar.
Escrito por *Gi* às 18h50
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A UMA AMIGA

Pois é... tradução de olhos enigmáticos que me observam, me afugentam, me refugiam, me constrangem, mas acima de tudo me intrigam, com sua maneira bem particular de vigiar. Uma boa amizade! PSICOMULHER Psicomulher de malícia santificada, de santidade psicovelada, de olhos atentos, de sons e gestos, do eterno e de momentos, colocando pausas na mente inquieta do servo e do servidor, da caça e do caçador, da ilusão querendo ser sim ou do sim querendo ser não ... não parar ... não fugir ... não recuar ... não negar quem se é, nem o que se quer! Apenas mantenha-se, Psicomulher! 
Escrito por *Gi* às 21h23
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ANTES DO AMANHECER
Me perco nas curvas de uma liberdade remota e utópica, passeio sobre uma vontade ilícita de tocar o intocável e persevero num desejo de lançar-me ao vazio que esse prazer proporciona. Tento ponderar meus atos, visando evitar desencontros com os que querem o que querem de mim, porém o inevitável é desbravador e transforma minhas formas humanas em um diário da robótica escrito pelas regras das mãos dos olhos que julgam. Quisera viajar para a realidade e fazer desse meu anseio a experiência que concretiza a lucidez da alma; Quisera fugir da ilusão e aproximar-me do gozo intenso dessa passagem terrena, ligando o mover de minha prisão à mais pura materialização dos deuses carnais, humanizados; Quisera liberar os medos em um único grito cósmico, enquanto provo do inadequado alimento do ventre da mãe do mundo. Tanto gosto... e não se pode ter. Morri... morremos! E talvez jamais saberei o que é ser Filha de Eva. - ter formas sem fôrmas, ser formas, ter sonhos sem sono – Talvez, jamais conhecerei o sopro incandescente e a voz doce de um anjo, sob a forma de uma pálida rosa, nem o sabor do primeiro fruto, concebido no seio do Éden. Espero ainda pela alvorada, quando sentirei o fio da espada que o condenado passional carrega em uma bainha de fogo; Esse fio que se difere pela delicadeza de suas feições. Pobre é o homem que se esconde sob a implosão de seus obscuros sentimentos, pois é nesse momento que brotam as mais incontroláveis infelicidades. Lançar-se o imprevisível é o que nos faz viver.  
Escrito por *Gi* às 00h50
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CACOS Tudo o que se quer fazer que se faça. E se o poema tiver que gritar, que beba seu fôlego nos cacos da mais bela taça. Beba tudo, o grito é poema; Tudo é poema, beba o grito; Beba o poema, tudo é grito. É tudo? Tudo o que se quer não é tudo o que se vê, mas se vejo, o grito é breve e nos cacos interfere, se inscreve, ressoa, desintegra, revolve o poema e tudo muda; muda tudo e finge que finda, parece que muda o fim, reescreve enquanto alegra, parece que chega ao fim. Hoje... quem sabe outro dia... O grito beba o poema e o poeta beba a mim, Bebendo também os cacos da mais bela taça, que agora bebo também, quebrada, grito lançado e esquecido. Cacos que descem acariciando a garganta, tão sutis quanto os dentes de um jaguar rasgando a tenra pele de um homem recém nascido. E o sangue que se cria da carne dilacerada aos cacos acaricia; E lubrifica meu grito... Enquanto o poema é escrito.
Escrito por *Gi* às 00h38
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DESABAFO II Em meu quarto oculto e triste estou brindando a saudade: infortúnio que restou, prova de infelicidade. O algoz é meu relógio e a lâmina é o vento cortando minh’alma em tiras, salgando nesse tormento. Pensamentos ecoando na mente tenra e inquieta; aleatório massacre que destrói sua própria meta. Já não penso no resgate da cabeça tão confusa porque vivendo essa ausência não há sol que me traduza. Sou infeliz borboleta com as asas machucadas, que vê suas ganas de vôo lentamente destroçadas. Fui construindo um império e forças vieram de ti... unindo os dois caminhos nas nuvens adormeci. Mas, presa nessa distância e à solidão que domina, do que foi um sonho lindo resta somente a ruína. Ruína que me maltrata, anseio estar a teu lado, vivendo toda a alegria que marcou nosso passao. Meu travesseiro é meu mestre, teu abraço é como um guia, lágrimas são meus lazeres onde aproveito meu dia. E a noite é só lembrança onde é exposto o corte e onde sangra o coração que não consegue se forte, assim, sentindo bem perto, o amargo sopro da morte. 
Escrito por *Gi* às 23h22
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DISTRAÇÃO Girrezi Duarte Ribas Distraio meus olhos na noite vadia e sinto a agonia da escuridão; desfaço desejos que aos cegos atingem e brinco nas margens da desilusão. E trago a mim mesma um trago da lua que me faz tão nua de anseio qualquer; já venho tocando a pele do vento a ver esse intento me despir mulher. A força que soa em letal freqüência é tal conseqüência da renúncia vã; que me encerra em almas de almas solitárias carregando karmas de um falso amanhã. Então, sem fronteiras, vão meus pensamentos divertindo lentos sonhos e ideais; caminhando eu sigo pela rua estreita, pois ela me acolhe em seus planos carnais. A noite, tão longa, me acolhe sem vida porque fui perdida e ela me encontrou; beijando seus lábios me entrego a um porto, onde o dia morto me desperdiçou. Medos e coragem de buscar a glória podendo a estória ter triste final; são os que me fazem esperar segundos e em rios profundos afogar meu mal. Tendo poucos anos, mas vivendo tanto, deixando que o pranto seque ao fogo rei, logo descobri que os passos são marcados e, se derrotados, os revelarei. 
Escrito por *Gi* às 23h13
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ÍNTIMA Tamanho é o caos, é a confusão de um eu sem convicção. A mente que gira e gira fazendo o rumo esquivar... é o eco no saguão. E a solidão é o elo que se perdeu. Sei quem sou eu: apenas um não. É o segundo que se move desce, sobe, apressa; é o temor na mão do casmurro e do fechado, da chacrinha e do cadeado. Temo algum ou que virou vilão. É a rua mansa que forma o vão: é desejo proibir, proibido permitir, permitido possuir? Sabe Deus porque criou? Sabe Deus ou também não? Se é um mal, quem inventou se não um Deus? Qualquer prova? Tentação? Mente gira, e gira hoje girou ontem, mas cansou. Evitou, consagrou, deflorou... Muitos dias apartando o inverno do verão e o inferno do perdão. Que perdão, que mal dispor, mesmo em um, outros virão e eu, como bom senhor, e eu, como bom cristão, ou talvez um bom pagão, evitei os desenlaces nos gritos, via miragens, nos beijos a aflição... órgão que jamais tive: o coração! Busquei, tentei... até o medo enfrentei, mas me limitou o chão. Ai de mim, e quanto tempo! da vingança de Minerva má e fria depressão. Caiu... a porcelana rompeu. Até hoje choro em vão. Chora? Ou se arrepende? Agora é indiferente. Já foi. Passou... e a dúvida regressou. Só foi passear por aí e nunca vendeu o lar; esteve sempre à espera do pedido, do retorno. O ninho visitou, então... Não sabe por quanto tempo, não sabe de nada, não. Mas finca em seu espaço as agulhas que me ferem, como que deixando claro que trouxe a escuridão. Mas eu peço pelo tempo, tempo, tempo... novamente até o fim da jornada, até a consolação. Que consolo tem a alma que não tem hora pra nada, nem conhece a estrada da luz ou da perdição que fundem-se nos aflitos, trazendo os conflitos? Gemer no pólo do Demo ou morrer sem satisfação. 
SONHEI CONTIGO Sonhei contigo essa noite: tua linda face não vi teus cabelos me laçavam e teu aroma senti. Tão doce, te invejam as rosas, insanas mãos te corriam, perfumes do anjo mais puro sorrisos da alcova irradiam. Sonhei contigo essa noite e nada me fez tão imensa: o sol clamava teu brilho e Afrodite, tua presença. Enquanto me aproximava, teus lábios me provocavam... e o ar quase me fugia se teus braços dominavam. Sonhei contigo essa noite entre recato e loucura. Teu abraço apaixonado era a mais doce tortura. Tinha medo do desgosto e que não fossem meus teus beijos pois teu corpo me queimava nos mais intensos desejos. Sonhei contigo essa noite tão logo eu despertei porque tu me recordaste que a outro me entreguei. Um outro que também amo, querendo como a um irmão. Que meu corpo um dia teve mas nunca meu coração. Sonhei contigo essa noite, que sonho mais debochado... Começou no paraíso e terminou num pecado. Pecado amar escondido e ter outro sem amor. É te querer loucamente, te encontrar freqüentemente e fingir na tua frente, quase morrendo de dor. 
Escrito por *Gi* às 23h03
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ENTÃO, O VELHO STANISLAVSKI... Girrezi Duarte Ribas Teu olho da cor do céu exprime tua força, ora velha, ora moça, já não sei como vigiar. Receio tinha eu e ainda tenho do que passa com o desenho dos dois corpos a guerrear. (a velha e a moça) Não entendo a razão do medo vago e das cautelas que trago no momento de encarar a esses pontos tão bravos de energia que lucidez irradia e teu riso faz brotar. (a moça e a velha) Peço que preencha meu ego e monotonia com toda tua sabedoria, que sustente meu andar. E peço que me faças amante da inteligência e que, tua gigante existência plante em mim ganas de voar. (a velha e a moça) 
Escrito por *Gi* às 22h44
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UMA E OUTRA Tão lindas, são as estrelas vivendo juntas, enamoradas, profundeza que se perde quando se vêem separadas. Tão lindas, coroa e pedras! Pólo de soberania, enquanto a virtude cresce sublime sonho irradia. Tão lindas, noite e lua! Das quais depende o destino. Sem uma há desequilíbrio, sem outra, há desatino. Lindas são até as letras, distantes, não têm sentido; unidas, são melodia a tudo que se há vivido. Lindas também as palavras, que se vestem de vagão: uma ante outra, libertas, fazem do medo canção. Tão lindas, morte e vida... ...e um ciclo regenera! Se amam tanto essas fases que uma pela outra espera. Tão lindas são as lembranças que jamais nos chegam sós. Lembrando de quem viemos, agride a ti sobre nós? De nós, o mesmo sorriso, de nós o mesmo defeito de nós a mesma virtude, mas não o mesmo direito? Mas se o verso desaponta... ...Ai! Terrível ignorância! *esse poema foi gentilmente publicado na Revista Xenite, pela amiga Mary Anne: http://www.revistaxenite.com 
Escrito por *Gi* às 21h39
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VENTO Meu silêncio é vento forte, que ruma o nada, é morte, que traz o gosto, desgosto... que invade a tumba e retumba a voz do nó. Nó dos pêlos, dos zelos, dos cabelos que amparam ombros, escombros do dia fútil - inútil - e a fúria do céu azul. Azul me cobre, tão pobre e, nobre, descobre o vento - sangrento - , rebento de meu silêncio mortal, final, signo de uma jura sepulcral de nunca, jamais, chorar. Pranto de horror, rumor, fervor, a dor não se apieda nem pede que pare, então... Não, não! Não alcança a mão; mão do diabo e diabo de mim. Enfim... põe fim á tudo que é ilusão. Nas artérias o sangue corre: - Que jorre! Desejo que pinte os quatro vértices do lado, do lodo, do quarto, fantasma farto de podridão. No olho escuro, imaturo, inseguro facho de lucidez... e sensatez... e tal surdez de quem não tem asas e voa. E se faz mal. Um animal, animal sem coração, frustrado e abandonado, a espera do vento forte. E a sorte da vida da morte? esperando a vinda do trem! 
Escrito por *Gi* às 16h13
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NÔMADE
Ah! O medo que tenho hoje
do espectro das madrugadas,
- famintos vermes polares,
entranhas dilaceradas -
é o frio que endurece as veias,
sangra o corte mais profundo,
vertendo sal e veneno
do coração moribundo.
Chamas vivas, carniceiras,
eriçam os lamaçais,
lançando espinhos certeiros
no peito dos canibais.
Eu, sim, sou ama das sombras,
antropófaga de mim
devorando meus pecados
no ciclo que não vê fim.
Pecadora das andanças
que o velho sonho criou
renasço dos pesadelos
onde o sol jamais pisou.

Escrito por *Gi* às 16h06
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INCÓGNITA
Não olhe meu rosto
tentando me desvendar;
Não fale meu nome
buscando me questionar;
Não me peça um sorriso querendo me enfeitiçar;
Não veja os defeitos
tentando me condenar.
Nem busque virtudes
tentando me endeusar...
nem sonhe comigo
querendo me aprisionar...
nem lute comigo
tentando me dominar.
Não viva em meu corpo
tentando me violentar,
nem morra em meu peito querendo se aconchegar;
Não destrua minha alma tentando se apoderar,
nem ofereça mão amiga
se esta for apunhalar.
Não toque meu rosto
querendo me envaidecer;
Não beije meus lábios
tentando me enlouquecer;
Não faça elogios
sem meu ego conhecer;
Não chegue tão perto
sem de mim nada saber;
Não diga que ama
se não pode perceber
que tudo o que digo
é tentando me esconder...
e não querer...
e não sofrer...
e esquecer...esquecer...
esquecer!

Escrito por *Gi* às 16h02
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ESTRELA Linda estrela solitária que adentra meus pensamentos, amiga fiel de Atena: revela teus movimentos. Como eu, és tão distante. Como eu, extingue o brilho. Sozinha estás em meus olhos, de meus passos és ladrilho. Penso vidas, choro dores deste monstro que amedronta: nada sente, nada toca, e em juramento desponta. Sou loucura e tua tristeza, discípula de xamãs; guerreira que à noite morre, renascendo nas manhãs. Linda estrela, sofredora, do pranto o clarão sombrio, afoga-te em mar de sonhos, aquece as veias no estio. índia com lança nas mãos: - crava-te ela em teu peito! Estrela, virgem esboço de meu caminho desfeito. Razões te trazem a mim, desespero alerta à luz; cinco pontas mata adentro que o corpo desnudo reluz. Cabelos beijados pela brisa, lisos de fel, estrela amiga, passearemos em teu seio tornando-nos verso e cantiga. Linda estrela, mãe dos deuses, dos velhos rituais forjada, és meu canto e meus abraços por rochas sendo adorada. Mesmo em tal leito destino nos olhos levo teu rio: curando-me quando enferma, satisfaço teu vazio. 
Escrito por *Gi* às 16h00
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DESPEDIDA
Com os pulsos vertendo a seiva
da vida que se faz medo,
deixo aqui o sofrimento
do cosmos frio e sangrento
dos dias que findam cedo.
Tenho todo o tempo entre as linhas
que atravessam mãos e pêlos;
tempo que beija a pálida face
e o sorriso que já não nasce
no seio dos desmazelos.
Um bilhete no espelho,
cala-se a guitarra triste,
assim como calam-se críticas
entre meninices místicas
do semblante que não mais existe.
Ao namorado, o perfume
que o sangue coloriu,
e as vistas escurecidas
não estão mais divididas
entre o negro e o vazio.
Fotografias, poemas;
dezesseis... era normal...
Era normal ao meu jeito,
mas o terror em meu peito
fez parecer natural.
- De todos, somente ela
não podia desistir:
parecia sorridente
mas no fundo era carente
e teve que sucumbir.
Boletins com dez em tudo
hoje pousam em sua cama;
e sua boneca da sorte,
que acompanhou sua morte,
hoje esses versos declama:
fui de menina a mulher,
fui de mulher a frescura,
mas minha alegria real
entranhou em meu punhal
junto à minha sepultura.

Escrito por *Gi* às 15h54
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DESABAFO
Te ignoro querendo te procurar;
te procuro querendo te odiar;
te odeio querendo me aproximar;
me aproximo querendo te ignorar.
Te vejo mesmo querendo não ver;
te sinto querendo te esquecer;
te insulto querendo te esconder;
e isso me faz sofrer.
Eu te renego tentando fugir
e me afasto querendo te ouvir;
te toco e tento não sentir;
te evito, mas volto a cair.
Anseio por tua partida,
mas morro ao te ver partir;
tento controlar meus olhos que vivem a te seguir;
sorrio quando te vejo
mas quero te destruir;
e o que machuca mais é a maldição de ter que fingir.
Não consigo me conter
e um dia irei dizer:
teu desprezo mata aos poucos
e só tua presença me faz renascer.

Escrito por *Gi* às 15h52
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DERRADEIRO LUSITANO
É nessa alcova pequena
onde minh'alma serena ousa agora descansar,
descarregando as mágoas
em rios de límpidas águas que se atreve idealizar.
É nesse quarto pequeno
onde meu corpo moreno desvenda uma redenção.
No teto desfigurado,
um veleiro desnorteado carrega um coração
coroado de azul morto,
mostrando que em algum porto floresceu a esperança;
que um dia o dia existiu,
mas com ele o sol partiu, fomentando uma lembrança.
No mesmo quarto moreno
meu corpo sempre pequeno vagueia nas madrugadas,
ansiando por um aviso,
e, entre o teto e o piso, trama a rota das jornadas:
conhecer todas as luas, buscar por becos e ruas
o que um dia o mar tomou;
melhor tivesse impedido,
e não tivesse partido a lugar que não chegou.
É nessa alcova pequena,
onde minh'alma serena é seiva dos que ficaram.
Hoje conto sem tristeza
que fizeram com a nobreza as lágrimas que secaram:
olhos já sem esplendor,
no rosto as marcas da dor que anestesiaram o riso.
No mesmo quarto sereno,
descansa o corpo moreno,
sem vida, amor nem juízo.

Escrito por *Gi* às 15h49
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CONSELHO
Voa, coração alado,
na brisa de outros espaços,
vai-te e explora algum rumo,
aproveita bem teus passos.
Já te machuquei por vezes
mas sempre estiveste aqui;
tu também me golpeaste
e jamais te compreendi.
Corpo brusco, mente tenra,
tentei fazer-te melhor...
impossível aquietar-te
sem dar lágrima e suor.
Voa e vai-te ao longe,
vive alguma liberdade.
Esquece todo teu pranto,
esquece tua sanidade.
Doa risos sem destino
e teu sangue insensato
em troca de um consolo,
já que te fui tão ingrato.
Viaja, sofrido amigo,
em teu próprio interior,
impede que mágoa e planos
te sirvam qualquer rancor.
Se tua voz quiser calar-te,
se teu sorriso apagar,
regressa ao refúgio
que nunca te irei negar.

Escrito por *Gi* às 15h45
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