


 |
Meu Perfil BRASIL, Sul, SANTA MARIA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, Spanish, Música, Arte e cultura
|
|
|
Warrior of Storm
INTR'APOCALYPSE
Meu coração um dia haverá de ser diamante, dessedentado por fel e lava. Minhas veias serão entupidas por gravetos secos gerados por substância coagulada. A areia alva do regurgitar de Tiestes formará meus poros e meus pulmões.
Minha pele será fria argila das vísceras de Adão. Meu suor será o visco formador da espuma do mar que gerará deusas.
Minhas córneas serão brotos do núcleo terrestre, que emanarão línguas de fogo à longínqua miragem de um horizonte paradisíaco.
E quando esse dia chegar, estarei preparada para sussurrar a mais dolorosa gargalhada que nenhum tempo jamais ousou celebrar.
Escrito por *Gi* às 18h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A UMA AMIGA

Pois é... tradução de olhos enigmáticos que me observam, me afugentam, me refugiam, me constrangem, mas acima de tudo me intrigam, com sua maneira bem particular de vigiar. Uma boa amizade! PSICOMULHER Psicomulher de malícia santificada, de santidade psicovelada, de olhos atentos, de sons e gestos, do eterno e de momentos, colocando pausas na mente inquieta do servo e do servidor, da caça e do caçador, da ilusão querendo ser sim ou do sim querendo ser não ... não parar ... não fugir ... não recuar ... não negar quem se é, nem o que se quer! Apenas mantenha-se, Psicomulher! 
Escrito por *Gi* às 21h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 
ANTES DO AMANHECER
Me perco nas curvas de uma liberdade remota e utópica, passeio sobre uma vontade ilícita de tocar o intocável e persevero num desejo de lançar-me ao vazio que esse prazer proporciona. Tento ponderar meus atos, visando evitar desencontros com os que querem o que querem de mim, porém o inevitável é desbravador e transforma minhas formas humanas em um diário da robótica escrito pelas regras das mãos dos olhos que julgam. Quisera viajar para a realidade e fazer desse meu anseio a experiência que concretiza a lucidez da alma; Quisera fugir da ilusão e aproximar-me do gozo intenso dessa passagem terrena, ligando o mover de minha prisão à mais pura materialização dos deuses carnais, humanizados; Quisera liberar os medos em um único grito cósmico, enquanto provo do inadequado alimento do ventre da mãe do mundo. Tanto gosto... e não se pode ter. Morri... morremos! E talvez jamais saberei o que é ser Filha de Eva. - ter formas sem fôrmas, ser formas, ter sonhos sem sono – Talvez, jamais conhecerei o sopro incandescente e a voz doce de um anjo, sob a forma de uma pálida rosa, nem o sabor do primeiro fruto, concebido no seio do Éden. Espero ainda pela alvorada, quando sentirei o fio da espada que o condenado passional carrega em uma bainha de fogo; Esse fio que se difere pela delicadeza de suas feições. Pobre é o homem que se esconde sob a implosão de seus obscuros sentimentos, pois é nesse momento que brotam as mais incontroláveis infelicidades. Lançar-se o imprevisível é o que nos faz viver.  
Escrito por *Gi* às 00h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
CACOS Tudo o que se quer fazer que se faça. E se o poema tiver que gritar, que beba seu fôlego nos cacos da mais bela taça. Beba tudo, o grito é poema; Tudo é poema, beba o grito; Beba o poema, tudo é grito. É tudo? Tudo o que se quer não é tudo o que se vê, mas se vejo, o grito é breve e nos cacos interfere, se inscreve, ressoa, desintegra, revolve o poema e tudo muda; muda tudo e finge que finda, parece que muda o fim, reescreve enquanto alegra, parece que chega ao fim. Hoje... quem sabe outro dia... O grito beba o poema e o poeta beba a mim, Bebendo também os cacos da mais bela taça, que agora bebo também, quebrada, grito lançado e esquecido. Cacos que descem acariciando a garganta, tão sutis quanto os dentes de um jaguar rasgando a tenra pele de um homem recém nascido. E o sangue que se cria da carne dilacerada aos cacos acaricia; E lubrifica meu grito... Enquanto o poema é escrito.
Escrito por *Gi* às 00h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
DESABAFO II Em meu quarto oculto e triste estou brindando a saudade: infortúnio que restou, prova de infelicidade. O algoz é meu relógio e a lâmina é o vento cortando minh’alma em tiras, salgando nesse tormento. Pensamentos ecoando na mente tenra e inquieta; aleatório massacre que destrói sua própria meta. Já não penso no resgate da cabeça tão confusa porque vivendo essa ausência não há sol que me traduza. Sou infeliz borboleta com as asas machucadas, que vê suas ganas de vôo lentamente destroçadas. Fui construindo um império e forças vieram de ti... unindo os dois caminhos nas nuvens adormeci. Mas, presa nessa distância e à solidão que domina, do que foi um sonho lindo resta somente a ruína. Ruína que me maltrata, anseio estar a teu lado, vivendo toda a alegria que marcou nosso passao. Meu travesseiro é meu mestre, teu abraço é como um guia, lágrimas são meus lazeres onde aproveito meu dia. E a noite é só lembrança onde é exposto o corte e onde sangra o coração que não consegue se forte, assim, sentindo bem perto, o amargo sopro da morte. 
Escrito por *Gi* às 23h22
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
DISTRAÇÃO Girrezi Duarte Ribas Distraio meus olhos na noite vadia e sinto a agonia da escuridão; desfaço desejos que aos cegos atingem e brinco nas margens da desilusão. E trago a mim mesma um trago da lua que me faz tão nua de anseio qualquer; já venho tocando a pele do vento a ver esse intento me despir mulher. A força que soa em letal freqüência é tal conseqüência da renúncia vã; que me encerra em almas de almas solitárias carregando karmas de um falso amanhã. Então, sem fronteiras, vão meus pensamentos divertindo lentos sonhos e ideais; caminhando eu sigo pela rua estreita, pois ela me acolhe em seus planos carnais. A noite, tão longa, me acolhe sem vida porque fui perdida e ela me encontrou; beijando seus lábios me entrego a um porto, onde o dia morto me desperdiçou. Medos e coragem de buscar a glória podendo a estória ter triste final; são os que me fazem esperar segundos e em rios profundos afogar meu mal. Tendo poucos anos, mas vivendo tanto, deixando que o pranto seque ao fogo rei, logo descobri que os passos são marcados e, se derrotados, os revelarei. 
Escrito por *Gi* às 23h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ÍNTIMA Tamanho é o caos, é a confusão de um eu sem convicção. A mente que gira e gira fazendo o rumo esquivar... é o eco no saguão. E a solidão é o elo que se perdeu. Sei quem sou eu: apenas um não. É o segundo que se move desce, sobe, apressa; é o temor na mão do casmurro e do fechado, da chacrinha e do cadeado. Temo algum ou que virou vilão. É a rua mansa que forma o vão: é desejo proibir, proibido permitir, permitido possuir? Sabe Deus porque criou? Sabe Deus ou também não? Se é um mal, quem inventou se não um Deus? Qualquer prova? Tentação? Mente gira, e gira hoje girou ontem, mas cansou. Evitou, consagrou, deflorou... Muitos dias apartando o inverno do verão e o inferno do perdão. Que perdão, que mal dispor, mesmo em um, outros virão e eu, como bom senhor, e eu, como bom cristão, ou talvez um bom pagão, evitei os desenlaces nos gritos, via miragens, nos beijos a aflição... órgão que jamais tive: o coração! Busquei, tentei... até o medo enfrentei, mas me limitou o chão. Ai de mim, e quanto tempo! da vingança de Minerva má e fria depressão. Caiu... a porcelana rompeu. Até hoje choro em vão. Chora? Ou se arrepende? Agora é indiferente. Já foi. Passou... e a dúvida regressou. Só foi passear por aí e nunca vendeu o lar; esteve sempre à espera do pedido, do retorno. O ninho visitou, então... Não sabe por quanto tempo, não sabe de nada, não. Mas finca em seu espaço as agulhas que me ferem, como que deixando claro que trouxe a escuridão. Mas eu peço pelo tempo, tempo, tempo... novamente até o fim da jornada, até a consolação. Que consolo tem a alma que não tem hora pra nada, nem conhece a estrada da luz ou da perdição que fundem-se nos aflitos, trazendo os conflitos? Gemer no pólo do Demo ou morrer sem satisfação. 
SONHEI CONTIGO Sonhei contigo essa noite: tua linda face não vi teus cabelos me laçavam e teu aroma senti. Tão doce, te invejam as rosas, insanas mãos te corriam, perfumes do anjo mais puro sorrisos da alcova irradiam. Sonhei contigo essa noite e nada me fez tão imensa: o sol clamava teu brilho e Afrodite, tua presença. Enquanto me aproximava, teus lábios me provocavam... e o ar quase me fugia se teus braços dominavam. Sonhei contigo essa noite entre recato e loucura. Teu abraço apaixonado era a mais doce tortura. Tinha medo do desgosto e que não fossem meus teus beijos pois teu corpo me queimava nos mais intensos desejos. Sonhei contigo essa noite tão logo eu despertei porque tu me recordaste que a outro me entreguei. Um outro que também amo, querendo como a um irmão. Que meu corpo um dia teve mas nunca meu coração. Sonhei contigo essa noite, que sonho mais debochado... Começou no paraíso e terminou num pecado. Pecado amar escondido e ter outro sem amor. É te querer loucamente, te encontrar freqüentemente e fingir na tua frente, quase morrendo de dor. 
Escrito por *Gi* às 23h03
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ENTÃO, O VELHO STANISLAVSKI... Girrezi Duarte Ribas Teu olho da cor do céu exprime tua força, ora velha, ora moça, já não sei como vigiar. Receio tinha eu e ainda tenho do que passa com o desenho dos dois corpos a guerrear. (a velha e a moça) Não entendo a razão do medo vago e das cautelas que trago no momento de encarar a esses pontos tão bravos de energia que lucidez irradia e teu riso faz brotar. (a moça e a velha) Peço que preencha meu ego e monotonia com toda tua sabedoria, que sustente meu andar. E peço que me faças amante da inteligência e que, tua gigante existência plante em mim ganas de voar. (a velha e a moça) 
Escrito por *Gi* às 22h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
UMA E OUTRA Tão lindas, são as estrelas vivendo juntas, enamoradas, profundeza que se perde quando se vêem separadas. Tão lindas, coroa e pedras! Pólo de soberania, enquanto a virtude cresce sublime sonho irradia. Tão lindas, noite e lua! Das quais depende o destino. Sem uma há desequilíbrio, sem outra, há desatino. Lindas são até as letras, distantes, não têm sentido; unidas, são melodia a tudo que se há vivido. Lindas também as palavras, que se vestem de vagão: uma ante outra, libertas, fazem do medo canção. Tão lindas, morte e vida... ...e um ciclo regenera! Se amam tanto essas fases que uma pela outra espera. Tão lindas são as lembranças que jamais nos chegam sós. Lembrando de quem viemos, agride a ti sobre nós? De nós, o mesmo sorriso, de nós o mesmo defeito de nós a mesma virtude, mas não o mesmo direito? Mas se o verso desaponta... ...Ai! Terrível ignorância! *esse poema foi gentilmente publicado na Revista Xenite, pela amiga Mary Anne: http://www.revistaxenite.com 
Escrito por *Gi* às 21h39
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
VENTO Meu silêncio é vento forte, que ruma o nada, é morte, que traz o gosto, desgosto... que invade a tumba e retumba a voz do nó. Nó dos pêlos, dos zelos, dos cabelos que amparam ombros, escombros do dia fútil - inútil - e a fúria do céu azul. Azul me cobre, tão pobre e, nobre, descobre o vento - sangrento - , rebento de meu silêncio mortal, final, signo de uma jura sepulcral de nunca, jamais, chorar. Pranto de horror, rumor, fervor, a dor não se apieda nem pede que pare, então... Não, não! Não alcança a mão; mão do diabo e diabo de mim. Enfim... põe fim á tudo que é ilusão. Nas artérias o sangue corre: - Que jorre! Desejo que pinte os quatro vértices do lado, do lodo, do quarto, fantasma farto de podridão. No olho escuro, imaturo, inseguro facho de lucidez... e sensatez... e tal surdez de quem não tem asas e voa. E se faz mal. Um animal, animal sem coração, frustrado e abandonado, a espera do vento forte. E a sorte da vida da morte? esperando a vinda do trem! 
Escrito por *Gi* às 16h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
NÔMADE
Ah! O medo que tenho hoje
do espectro das madrugadas,
- famintos vermes polares,
entranhas dilaceradas -
é o frio que endurece as veias,
sangra o corte mais profundo,
vertendo sal e veneno
do coração moribundo.
Chamas vivas, carniceiras,
eriçam os lamaçais,
lançando espinhos certeiros
no peito dos canibais.
Eu, sim, sou ama das sombras,
antropófaga de mim
devorando meus pecados
no ciclo que não vê fim.
Pecadora das andanças
que o velho sonho criou
renasço dos pesadelos
onde o sol jamais pisou.

Escrito por *Gi* às 16h06
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
INCÓGNITA
Não olhe meu rosto
tentando me desvendar;
Não fale meu nome
buscando me questionar;
Não me peça um sorriso querendo me enfeitiçar;
Não veja os defeitos
tentando me condenar.
Nem busque virtudes
tentando me endeusar...
nem sonhe comigo
querendo me aprisionar...
nem lute comigo
tentando me dominar.
Não viva em meu corpo
tentando me violentar,
nem morra em meu peito querendo se aconchegar;
Não destrua minha alma tentando se apoderar,
nem ofereça mão amiga
se esta for apunhalar.
Não toque meu rosto
querendo me envaidecer;
Não beije meus lábios
tentando me enlouquecer;
Não faça elogios
sem meu ego conhecer;
Não chegue tão perto
sem de mim nada saber;
Não diga que ama
se não pode perceber
que tudo o que digo
é tentando me esconder...
e não querer...
e não sofrer...
e esquecer...esquecer...
esquecer!

Escrito por *Gi* às 16h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ESTRELA Linda estrela solitária que adentra meus pensamentos, amiga fiel de Atena: revela teus movimentos. Como eu, és tão distante. Como eu, extingue o brilho. Sozinha estás em meus olhos, de meus passos és ladrilho. Penso vidas, choro dores deste monstro que amedronta: nada sente, nada toca, e em juramento desponta. Sou loucura e tua tristeza, discípula de xamãs; guerreira que à noite morre, renascendo nas manhãs. Linda estrela, sofredora, do pranto o clarão sombrio, afoga-te em mar de sonhos, aquece as veias no estio. índia com lança nas mãos: - crava-te ela em teu peito! Estrela, virgem esboço de meu caminho desfeito. Razões te trazem a mim, desespero alerta à luz; cinco pontas mata adentro que o corpo desnudo reluz. Cabelos beijados pela brisa, lisos de fel, estrela amiga, passearemos em teu seio tornando-nos verso e cantiga. Linda estrela, mãe dos deuses, dos velhos rituais forjada, és meu canto e meus abraços por rochas sendo adorada. Mesmo em tal leito destino nos olhos levo teu rio: curando-me quando enferma, satisfaço teu vazio. 
Escrito por *Gi* às 16h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
DESPEDIDA
Com os pulsos vertendo a seiva
da vida que se faz medo,
deixo aqui o sofrimento
do cosmos frio e sangrento
dos dias que findam cedo.
Tenho todo o tempo entre as linhas
que atravessam mãos e pêlos;
tempo que beija a pálida face
e o sorriso que já não nasce
no seio dos desmazelos.
Um bilhete no espelho,
cala-se a guitarra triste,
assim como calam-se críticas
entre meninices místicas
do semblante que não mais existe.
Ao namorado, o perfume
que o sangue coloriu,
e as vistas escurecidas
não estão mais divididas
entre o negro e o vazio.
Fotografias, poemas;
dezesseis... era normal...
Era normal ao meu jeito,
mas o terror em meu peito
fez parecer natural.
- De todos, somente ela
não podia desistir:
parecia sorridente
mas no fundo era carente
e teve que sucumbir.
Boletins com dez em tudo
hoje pousam em sua cama;
e sua boneca da sorte,
que acompanhou sua morte,
hoje esses versos declama:
fui de menina a mulher,
fui de mulher a frescura,
mas minha alegria real
entranhou em meu punhal
junto à minha sepultura.

Escrito por *Gi* às 15h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
DESABAFO
Te ignoro querendo te procurar;
te procuro querendo te odiar;
te odeio querendo me aproximar;
me aproximo querendo te ignorar.
Te vejo mesmo querendo não ver;
te sinto querendo te esquecer;
te insulto querendo te esconder;
e isso me faz sofrer.
Eu te renego tentando fugir
e me afasto querendo te ouvir;
te toco e tento não sentir;
te evito, mas volto a cair.
Anseio por tua partida,
mas morro ao te ver partir;
tento controlar meus olhos que vivem a te seguir;
sorrio quando te vejo
mas quero te destruir;
e o que machuca mais é a maldição de ter que fingir.
Não consigo me conter
e um dia irei dizer:
teu desprezo mata aos poucos
e só tua presença me faz renascer.

Escrito por *Gi* às 15h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
DERRADEIRO LUSITANO
É nessa alcova pequena
onde minh'alma serena ousa agora descansar,
descarregando as mágoas
em rios de límpidas águas que se atreve idealizar.
É nesse quarto pequeno
onde meu corpo moreno desvenda uma redenção.
No teto desfigurado,
um veleiro desnorteado carrega um coração
coroado de azul morto,
mostrando que em algum porto floresceu a esperança;
que um dia o dia existiu,
mas com ele o sol partiu, fomentando uma lembrança.
No mesmo quarto moreno
meu corpo sempre pequeno vagueia nas madrugadas,
ansiando por um aviso,
e, entre o teto e o piso, trama a rota das jornadas:
conhecer todas as luas, buscar por becos e ruas
o que um dia o mar tomou;
melhor tivesse impedido,
e não tivesse partido a lugar que não chegou.
É nessa alcova pequena,
onde minh'alma serena é seiva dos que ficaram.
Hoje conto sem tristeza
que fizeram com a nobreza as lágrimas que secaram:
olhos já sem esplendor,
no rosto as marcas da dor que anestesiaram o riso.
No mesmo quarto sereno,
descansa o corpo moreno,
sem vida, amor nem juízo.

Escrito por *Gi* às 15h49
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
CONSELHO
Voa, coração alado,
na brisa de outros espaços,
vai-te e explora algum rumo,
aproveita bem teus passos.
Já te machuquei por vezes
mas sempre estiveste aqui;
tu também me golpeaste
e jamais te compreendi.
Corpo brusco, mente tenra,
tentei fazer-te melhor...
impossível aquietar-te
sem dar lágrima e suor.
Voa e vai-te ao longe,
vive alguma liberdade.
Esquece todo teu pranto,
esquece tua sanidade.
Doa risos sem destino
e teu sangue insensato
em troca de um consolo,
já que te fui tão ingrato.
Viaja, sofrido amigo,
em teu próprio interior,
impede que mágoa e planos
te sirvam qualquer rancor.
Se tua voz quiser calar-te,
se teu sorriso apagar,
regressa ao refúgio
que nunca te irei negar.

Escrito por *Gi* às 15h45
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|

Aqui algo mais bairrista...thanx, Diessy!
Escrito por *Gi* às 21h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|

Escrito por *Gi* às 20h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O CANTEIRO
O canteiro dos meus centros
outra vez vem de visita,
cortejando as moradoras
do bairro que o céu limita.
É onde passávamos tardes
entoando a voz do vento
e, esperando a lua cheia,
bailávamos noite adentro.
Nas manhãs de primavera
colhíamos margaridas
que adornavam os cabelos
e aliviavam feridas.
Pois sim, haviam feridas,
que o mar, desnudo, criou
quando abraçou nossos filhos
ou nossos homens tomou.
Foram quartos e mais quartos
das horas de riso e dor,
que acabavam sem começo,
que aqueciam sem calor.
Era o gozo da ternura
com o aroma da parreira:
sabor da fruta madura
da Lisboa pioneira.
Pobres? Sim... Jovens? Talvez.
Mas a vida aproveitaram:
lusitanos corações
que com iguais festejaram.
Nesse canteiro eterno
a visão desfalecia
digo pois, com tanta calma,
a alma adormecia.
Os sentidos desmaiavam,
o íntimo flutuava em paz;
eram horas de descanso
que há muito não tenho mais.
Meus centros, memória e verso,
guardam a fé do canteiro,
e, ainda que o corpo falte,
é da mente prisioneiro.
Canteiro que me fez rir;
canteiro que fez chorar.
Enterradas em teu manto
estão histórias sem par.
Hoje, aqui voltaste alegre
em tuas visitas diárias
ao leque dos pensamentos
com tuas imagens lendárias.
E, hoje sinto, canteiro,
que jamais verei teu fim;
mesmo findando meus dias
estarás para sempre em mim.

Escrito por *Gi* às 20h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
MAIS SIMPLES
Mais simples que ver a aurora
é velar o anoitecer;
mais simples que ir embora
é enraizar-se e não ver.
Mais simples que o som da vida
é o dom da morte nascer;
mais simples que uma partida
é do regresso esquecer.
Mais simples que a agonia
é a solidão esconder;
mais simples que a covardia
é sem coragem sofrer.
Mais simples que a falsidade
é ser quem não se quer ser;
mais simples que um fim de tarde
é sob a noite adoecer.
Mais simples que um mistério
é desvendar um querer;
mais simples que um rosto sério
é um pranto dissolver.
Mais simples que a alma em pena
é a carne perecer;
mais simples que uma novena
é orar e em nada crer.
Mais simples que a pele em brasa
é com o vidro a romper;
mais simples que a água rasa
é no limbo apodrecer.
Mais simples que a corrente
é acorrentado gemer;
mais simples que o sangue quente
é com meu sangue escrever.
Mais simples que o vento forte
é na brisa contorcer;
mais simples que a própria sorte
é com a sorte perder.
Mais simples que uma figura
é o abstrato entender;
mais simples do que uma cura
é do veneno beber.

Escrito por *Gi* às 20h40
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ÍNTIMA
Tamanho é o caos, é a confusão
de um eu sem convicção.
A mente que gira e gira fazendo o rumo esquivar...
é o eco no saguão.
E a solidão é o elo que se perdeu.
Sei quem sou eu: apenas um não.
É o segundo que se move
desce, sobe, apressa;
é o temor na mão do casmurro e do fechado,
da chacrinha e do cadeado.
Temo algum ou que virou vilão.
É a rua mansa que forma o vão:
é desejo proibir,
proibido permitir,
permitido possuir?
Sabe Deus porque criou?
Sabe Deus ou também não?
Se é um mal, quem inventou
se não um Deus?
Qualquer prova? Tentação?
Mente gira, e gira hoje
girou ontem, mas cansou.
Evitou, consagrou, deflorou...
Muitos dias apartando
o inverno do verão
e o inferno do perdão.
Que perdão, que mal dispor,
mesmo em um, outros virão
e eu, como bom senhor,
e eu, como bom cristão,
ou talvez um bom pagão,
evitei os desenlaces
nos gritos, via miragens,
nos beijos a aflição...
órgão que jamais tive:
o coração!
Busquei, tentei...
até o medo enfrentei,
mas me limitou o chão.
Ai de mim, e quanto tempo!
da vingança de Minerva
má e fria depressão.
Caiu... a porcelana rompeu.
Até hoje choro em vão.
Chora? Ou se arrepende?
Agora é indiferente.
Já foi. Passou...
e a dúvida regressou.
Só foi passear por aí
e nunca vendeu o lar;
esteve sempre à espera
do pedido, do retorno.
O ninho visitou, então...
Não sabe por quanto tempo,
não sabe de nada, não.
Mas finca em seu espaço
as agulhas que me ferem,
como que deixando claro
que trouxe a escuridão.
Mas eu peço pelo tempo,
tempo, tempo... novamente
até o fim da jornada,
até a consolação.
Que consolo tem a alma
que não tem hora pra nada,
nem conhece a estrada
da luz ou da perdição que fundem-se nos aflitos,
trazendo os conflitos?
Gemer no pólo do Demo
ou morrer sem satisfação.

Escrito por *Gi* às 20h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
 |
|
|